A Agility Robotics e a GXO anunciaram a expansão da parceria para levar robôs humanoides Digit a dois centros logísticos nos Estados Unidos: um em Statesville, na Carolina do Norte, e outro em Lebanon, no Tennessee. O início das implantações está previsto para o começo de 2027, segundo o comunicado conjunto das empresas.
Os robôs devem apoiar o atendimento de pedidos de comércio eletrônico e realizar tarefas repetitivas de movimentação de materiais. O anúncio prevê começar com o Digit 4 e migrar para o Digit 5 quando o modelo estiver disponível comercialmente. A expansão, portanto, ainda é um plano futuro: os novos locais não estão operando com os robôs.
O acordo chama atenção por conectar robótica humanoide a uma operação logística já existente. Mas as informações divulgadas não permitem concluir quanto a tecnologia produzirá, quanto custará ou se reduzirá a necessidade de trabalho humano. As empresas não informaram o número de unidades, o investimento ou metas de desempenho para os novos centros.
Da prova de conceito à expansão planejada
A colaboração começou com uma prova de conceito em 2023, no centro da GXO em Flowery Branch, na Geórgia. Em junho de 2024, as companhias firmaram um acordo plurianual no modelo Robotics as a Service, ou robótica como serviço. O contrato inclui o Digit e a plataforma Agility Arc, usada pela Agility para gerenciar frotas de robôs e integrá-las às operações dos clientes.
Na unidade da Geórgia, a função descrita pelas empresas é específica: o Digit movimenta caixas plásticas reutilizáveis, chamadas de totes, e as coloca em esteiras, trabalhando junto a sistemas de automação já instalados. A tarefa não demonstra que o robô possa substituir diferentes funções de armazém; mostra que está sendo usado em uma atividade delimitada de movimentação de materiais.
Os números divulgados ainda são das empresas
A GXO e a Agility dizem que o Digit movimentou mais de 100 mil totes em Flowery Branch. Em setembro, a Agility também informou que o Digit 4 atingiu aproximadamente 98% de precisão enquanto estava em tarefa nessa instalação. São métricas divulgadas pela fabricante e pela operadora, não uma avaliação independente. O material consultado não detalha como a precisão foi calculada, em qual período ou quantas intervenções foram necessárias.
O marco de 100 mil caixas aparece em um comunicado da Agility sobre o Digit 5. Ele se refere à operação de Flowery Branch, não aos dois centros anunciados agora. A empresa também afirma que está desenvolvendo a próxima geração do robô com base na experiência de implantações comerciais, mas não publicou neste anúncio dados comparáveis de produtividade para Statesville ou Lebanon.
O que ainda será preciso observar
Para avaliar a expansão, será necessário acompanhar o início efetivo das operações e conhecer detalhes que ainda não foram divulgados: quantos robôs serão usados, quantas caixas movimentarão por hora, quanto tempo permanecerão disponíveis, que tipo de supervisão exigirão e quanto custará o serviço. Também faltam dados sobre manutenção, falhas e comparação com alternativas de automação.
Essa distinção entre anúncio, piloto e operação comprovada é central para entender o setor. Um robô pode executar uma tarefa real sem que isso prove, por si só, viabilidade econômica ou capacidade de operar em escala. A nova etapa da GXO poderá oferecer evidências sobre a repetição da tarefa em outros centros, mas os resultados só poderão ser avaliados depois que as implantações começarem.
A pauta complementa a análise da Valiant sobre quantos robôs humanoides estão realmente trabalhando. Na parceria entre GXO e Agility, há uma operação anterior e uma expansão anunciada para 2027; ainda falta saber se os novos locais confirmarão os resultados que as empresas atribuem à instalação da Geórgia.


